quem fuma por aí
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
numb
vou começar a trabalhar na sexta feira.
despedi-me em agosto o que é uma atitude inteligente nos tempos que correm. nunca pensei que as coisas estivessem tão difíceis. agora vou começar a trabalhar numa área intelectualmente pouco exigente. estou muito contente por isso. irei ter tempo para ler e para estudar. e vou ter algum dinheiro, o que não acontece há algum tempo.
numb.
terça-feira, 30 de março de 2010
não havia de valer
hoje a tristeza voltou. já percebi que é recorrente, inevitável. não vale a pena lutar contra isto, contra a minha natureza que é obviamente melancólica, e resta-me ir aprendendo a viver assim. como uma pessoa que tem uma doença crónica, eu tenho de aprender a viver com a minha condição triste e deprimida. aproveitar os dias melhores. preparar-me para os piores. não esquecer a medicação. não dormir demais. não dormir de menos. evitar beber apenas para evitar as depressões e as taquicardias das ressacas. evitar certos lugares, certas pessoas. evitar certas memórias. (como se isso fosse possível.) depois há todas aquelas coisas que sabemos que nos fazem bem mas que insistimos em não cumprir. em não procurar. por preguiça. por esta espécie de masoquismo inerente à condição do depressivo, ou deprimido. por desistência. ou apenas pela imensa falta de vontade de tudo, quando nos sentimos assim. mas nem sempre sou assim. há alturas em que tenho tesão pela vida. deve ser por isso que há quem diga que sou bipolar. mas nestas alturas não me lembro do que gosto na vida. ou lembro-me, mas não há ressonância afectiva. beber baldes de café e continuar com sono. com um sono que dura o dia inteiro. semanas, às vezes.
sexta-feira, 26 de março de 2010
novas cores
Tirei os tons depressivos e cinzentos deste blog. Quis dar-lhe uma nova vida. Todos merecemos um novo começo, uma nova oportunidade. Todos devíamos poder deixar para trás uma vida que deixa de ser a nossa, deixa de fazer sentido e poder começar de novo. Mesmo que um dia mais tarde tenhamos que recuperá-la.
Dei-lhe tonalidades frescas e de Verão por vários motivos. O primeiro, é estar de farta deste longo Inverno, de frio, chuva e vento... ah como odeio o vento. Eu que sofro tanto com o calor e que pedi tanto pelo Outono, até eu, estou farta desta pesada invernia.
Depois porque estou apaixonada. Muito apaixonada. E melhor do que isso, ele também está apaixonado por mim. Pintei as unhas dos pés. E que pés lindos que eu tenho. Tenho saudades do Verão.
Dei-lhe tonalidades frescas e de Verão por vários motivos. O primeiro, é estar de farta deste longo Inverno, de frio, chuva e vento... ah como odeio o vento. Eu que sofro tanto com o calor e que pedi tanto pelo Outono, até eu, estou farta desta pesada invernia.
Depois porque estou apaixonada. Muito apaixonada. E melhor do que isso, ele também está apaixonado por mim. Pintei as unhas dos pés. E que pés lindos que eu tenho. Tenho saudades do Verão.
sábado, 21 de março de 2009
wrong lyrics
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
Wrong
Wrong
There's something wrong with me chemically
Something wrong with me inherently
The wrong mix in the wrong genes
I reached the wrong ends by the wrong means
It puts the wrong plan
In the wrong hands
With the wrong theory for the wrong man
The wrong lies, on the wrong vibes
The wrong questions with the wrong replies
Wrong
Wrong
I was marching to the wrong drum
With the wrong scum
Pissing out the wrong energy
Using all the wrong lines
And the wrong signs
With the wrong intensity
I was on the wrong page of the wrong book
With the wrong rendition of the wrong hook
Made the wrong move, every wrong night
With the wrong tune played till it sounded right yah
Wrong
Wrong
Too long
Wrong
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with with the wrong technique
Wrong
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
Wrong
Wrong
There's something wrong with me chemically
Something wrong with me inherently
The wrong mix in the wrong genes
I reached the wrong ends by the wrong means
It puts the wrong plan
In the wrong hands
With the wrong theory for the wrong man
The wrong lies, on the wrong vibes
The wrong questions with the wrong replies
Wrong
Wrong
I was marching to the wrong drum
With the wrong scum
Pissing out the wrong energy
Using all the wrong lines
And the wrong signs
With the wrong intensity
I was on the wrong page of the wrong book
With the wrong rendition of the wrong hook
Made the wrong move, every wrong night
With the wrong tune played till it sounded right yah
Wrong
Wrong
Too long
Wrong
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with with the wrong technique
Wrong
white trash
quando nos tratam como lixo, nos humilham de todas as formas possíveis, nos maltratam física e psicologicamente, fazem de nós saco de pancada, traem-nos e desvalorizam-nos, depois cansam-se e deitam-nos fora. depois disso, é possível sentirmo-nos outra coisa que não lixo?
sexta-feira, 20 de março de 2009
depressão #178390732
as frequências acabaram, eu tinha de ir fazer qualquer coisa à secretaria e a gabriela despediu-se de mim e desejou-me boas férias. foi aí que entrei em pânico. meses de férias, longe de lisboa, em casa na província (ainda se usa? não é queirosiano?) e sem livros, resmas de fotocópias para ler, copos no bairro alto para entorpecer a cabeça e entreter a depressão, reforçar defesas maníacas, e aí entrei mesmo em pânico.
estou em casa. uns sete ou oito anos depois e o pânico continua. não há amigos, não há festas, não há confusão de gente e gin disponível para acordar a independente e a que não se preocupa. preocupo-me. preocupo-me e muito. porque um dia vou ser feliz e vou morrer.
estou em casa. uns sete ou oito anos depois e o pânico continua. não há amigos, não há festas, não há confusão de gente e gin disponível para acordar a independente e a que não se preocupa. preocupo-me. preocupo-me e muito. porque um dia vou ser feliz e vou morrer.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
enquanto dormias
ontem, enquanto dormias com a cabeça encostada ao meu ombro e enquanto te fazia festas no cabelo, eras o joão pequenino que uma vez fugiu ainda a gatinhar, até ao andar de cima, em busca dos matraquilhos e deixou toda a gente preocupada. eras o joão a quem os pais deixaram sozinho tão cedo. eras o joão que tomou conta dos que amava e de quem não souberam tomar conta. eras o joão que tantas vezes me magoou mas que foi magoado tantas vezes.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
da repetição
deve haver uma regra qualquer, nisto dos blogs, que proíbe a repetição dos posts. ainda mais quando são citações de livros. mas, mais do que nunca, esta descrição faz-me sentido. além disso eu sou má a cumprir regras, até, ou principalmente, as da vida.
- Sim, basicamente mercadores de sexo. A pandilha da líbido. Não era capaz de lhes resistir. Não sabia jogar com eles. Isso foi uma coisa que não cobrimos naquele seminário. E, claro, eu era um estimulante para os que me queriam e que eu não queria. O que me punha doida era que havia sempre alguém atrás de mim apaixonadamente, a telefonar-me, a seguir-me e a inundar-me de convites. Sabes, no fundo, a sufocar-me. E, ao mesmo tempo, havia o amante ausente, que se tinha ido embora e não estava interessado, ou a jogar uma data de jogos comigo, e eu fiquei um pouquinho doida, mais ou menos destrambelhada. Acontece. Estava tudo bem a princípio, mas o erro foi isso estar sempre a acontecer e parecia que eu não conseguia sair dali. E tem sido essa a minha nemesis. Tem sido sempre isso.
- Não tiveste relações que fossem cheias, que fossem agradáveis?
- Mais ou menos.
- O que aconteceu a essas?
- Aborreci-me."
Embora fale de mim, foi tirado daqui:
Philip Roth, Traições
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
II.
E mais uma vez nos partem o coração. Quando ele, com alguma suspeita de que não há mal que sempre dure se atreve a encher-se de novo, a empolar-se de vivo vermelho, a bombear sangue novo e oxigenado de qualquer coisa que se assemelha a felicidade e a esperança. Desta vez quebram-nos o coração vermelho vivo com facadas, com duros golpes de porrada, com humilhações e toadas negras. Riscam qualquer possibilidade de voltarmos a sentir coisas boas – é mentira, mas agora é tão verdade! -, acabam connosco e deixam no nosso lugar um esboço de nós, mas vazio de quase tudo. Um esboço riscado a carvão de desespero e solidão.
I.
Quantas vezes nos podem partir coração? Quantas vezes pode o nosso coração ser dolorosamente, definitivamente, irreversivelmente, irremediavelmente partido? Qual é o limite de sofrimento de cada um? E haverá um ponto em que desistimos de lutar? Em que aceitamos sobreviver com o mínimo e o razoável passa a ser uma forma de vida? Ou é nesse ponto que decidimos acabar com tudo? Ou terá o ser humano um tal instinto de sobrevivência que insiste em resistir, mesmo abaixo do razoável, do aceitável, do decente, do humano, do psicologicamente tolerável.
Quanta pancada uma pessoa tem de levar? De todos os lados? Aprendemos assim?
Ao colocarmo-nos fora da nossa própria vida, vendo-a com olhar alheio, exercício que recomendo várias vezes aos outros mas que comigo nunca funciona, talvez por este meu pessimismo terrível, esta dor, esta sensação horrível de solidão que me acompanham desde sempre; ao colocar-me fora da minha própria vida ela não me parece terrível.
Durante dois anos desejei todas as noites, com a maior das poucas forças que tinha não acordar no dia seguinte. Sabia que nada de bom me esperava. Há uns segundos, ou menos do que isso, uns pequenos momentos de inconsciência quando acordamos, em que estamos entre o sono e a vigília, entre a simples existência física e a noção de nós próprios, que eram o único momento pacífico dos meus dias. Depois, em menos de nada, vinha-me a consciência da minha realidade, da minha existência – que tal como disse, vista de fora, regida pelo quotidiano nada tinha de terrível – e a raiva de ter acordado. De estar viva. De haver tanta gente no mundo a morrer não querendo e eu, que queria…
Ao apanhar o metro todos os dias confrontava-me com a minha incompetência e cobardia. Sempre achei o suicídio um acto de coragem. Não é cobardia acabar com um sofrimento que sentimos como intolerável. É um acto de misericórdia para connosco. Como quando matamos um bicho que está a sofrer. Não há nada de corajoso em viver deprimido numa cama, em viver deprimido a repetir comportamentos destrutivos a lixar a vida aos que gostam de nós. Não há nada de corajoso em destruir a nossa vida todos os dias, um bocadinho mais, porque somos tão miseráveis que não nos podemos dar ao luxo de gostar de nós próprios.
Portanto, sempre que apanhava o metro, confrontava-me com a minha falta de coragem para me atirar para debaixo dele. Sentia-me ridícula por talvez me agarrar a qualquer resto de esperança, quando todos os dias a seguir aos outros me mostravam que não havia motivos para tal. E medo. Medo de quê? Da dor? Seria maior do qualquer uma que tivesse sentido até aí? Portanto, todos os dias, na linha verde, estava a pessoa mais pequenina, mais ridícula, mais patética, mais magoada no seu ego, a apanhar o metro para a Baixa-Chiado.
Quanta pancada uma pessoa tem de levar? De todos os lados? Aprendemos assim?
Ao colocarmo-nos fora da nossa própria vida, vendo-a com olhar alheio, exercício que recomendo várias vezes aos outros mas que comigo nunca funciona, talvez por este meu pessimismo terrível, esta dor, esta sensação horrível de solidão que me acompanham desde sempre; ao colocar-me fora da minha própria vida ela não me parece terrível.
Durante dois anos desejei todas as noites, com a maior das poucas forças que tinha não acordar no dia seguinte. Sabia que nada de bom me esperava. Há uns segundos, ou menos do que isso, uns pequenos momentos de inconsciência quando acordamos, em que estamos entre o sono e a vigília, entre a simples existência física e a noção de nós próprios, que eram o único momento pacífico dos meus dias. Depois, em menos de nada, vinha-me a consciência da minha realidade, da minha existência – que tal como disse, vista de fora, regida pelo quotidiano nada tinha de terrível – e a raiva de ter acordado. De estar viva. De haver tanta gente no mundo a morrer não querendo e eu, que queria…
Ao apanhar o metro todos os dias confrontava-me com a minha incompetência e cobardia. Sempre achei o suicídio um acto de coragem. Não é cobardia acabar com um sofrimento que sentimos como intolerável. É um acto de misericórdia para connosco. Como quando matamos um bicho que está a sofrer. Não há nada de corajoso em viver deprimido numa cama, em viver deprimido a repetir comportamentos destrutivos a lixar a vida aos que gostam de nós. Não há nada de corajoso em destruir a nossa vida todos os dias, um bocadinho mais, porque somos tão miseráveis que não nos podemos dar ao luxo de gostar de nós próprios.
Portanto, sempre que apanhava o metro, confrontava-me com a minha falta de coragem para me atirar para debaixo dele. Sentia-me ridícula por talvez me agarrar a qualquer resto de esperança, quando todos os dias a seguir aos outros me mostravam que não havia motivos para tal. E medo. Medo de quê? Da dor? Seria maior do qualquer uma que tivesse sentido até aí? Portanto, todos os dias, na linha verde, estava a pessoa mais pequenina, mais ridícula, mais patética, mais magoada no seu ego, a apanhar o metro para a Baixa-Chiado.
terça-feira, 15 de julho de 2008
eu não sou maluca, mas de certeza, de certezinha que isto foi um sinal:
wesley: (...) This is me taking back control of my life. What the fuck have you done lately?
quarta-feira, 9 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
odeio
a minha vida.
o meu coração partido.
a minha cabeça por lobotomizar.
os meus colegas quase todos.
quem me partiu o coração.
ser estúpida.
o meu coração partido.
a minha cabeça por lobotomizar.
os meus colegas quase todos.
quem me partiu o coração.
ser estúpida.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
quem nasceu p'ra lagartixa nunca chega a jacaré
não tenho nenhuma amiga constança nem nenhum amigo salvador. já me conformei com o facto de que nunca serei ninguém na vida.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
dois mil e sete
também a mim me apetece fazer um balanço de 2007. mas parece que nada de muito significativo ocorreu este ano. não foi um ano de grandes mudanças, de grandes acontecimentos. foi um ano de andar à superfície das coisas. e isso ensinou-me muito. ensinou-me que não não quero viver à superfície das coisas. à superfície da vida itself. sempre me irritaram as pessoas que não vivem, que não sentem, com as tripas.
foi um ano de luto, de muito medo, de recaídas e de comprimidos. de perder alguns amigos mas de recuperar outros. de descobrir profundas amizades onde não esperava. de desilusões amorosas e de aventuras amorosas. de novos empregos.
um ano de magreza e de vaidades. de poucos livros e de pouco cinema. de muita música e de muitas saídas à noite.
um ano de que me vou despedir sem grandes saudades. para uma pessoa, como eu, agarrada ao passado, esta é uma óptima notícia.
foi um ano de luto, de muito medo, de recaídas e de comprimidos. de perder alguns amigos mas de recuperar outros. de descobrir profundas amizades onde não esperava. de desilusões amorosas e de aventuras amorosas. de novos empregos.
um ano de magreza e de vaidades. de poucos livros e de pouco cinema. de muita música e de muitas saídas à noite.
um ano de que me vou despedir sem grandes saudades. para uma pessoa, como eu, agarrada ao passado, esta é uma óptima notícia.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
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